Inaugurando o blog...

Primeiro post do blog. Para inaugurar, nada melhor do que falar do que me levou a escrever Danação.
Sempre gostei de literatura fantástica. Seja o terror, a fantasia ou a ficção científica, as realidades irreais sempre me fisgaram. Mas não foi apenas isso.
Sempre curti a ousadia, a criatividade. Não vou esticar muito. Quem já leu Stephen King (melhor como contista do que como novelista), Clive Barker, H. P. Lovecraft e Philip K. Dick sabe do que estou falando. Mas não foi apenas isso.
Nas idas a livrarias folheava dezenas de títulos novos de fantasia - o que era bom. Desses lançamentos, vários autores nacionais - o que era ótimo, prova de que o gênero se firmava no Brasil, principalmente entre os mais jovens. Mas lá para o meio da orelha ou da sinopse da contra-capa (às vezes logo no título ou pela ilustração da capa) percebia o que me aguardava: vampiros e lobisomens (ou lutas entre uma e outra raça), elfos e dragões, quase sempre acima do Equador ou em um continente imaginário. De uns anos para cá, zumbis. Não quero que pensem que não gosto dessas criaturas. Cresci lendo gibis como Kripta e Shock, assistindo na TV a filmes de terror da Hammer, vendo e revendo no cinema Grito de Horror (quem não viu ainda, corra e alugue - ou baixe) e Hora do Espanto (o original, de 1985). Mas os quarenta anos são a idade de começar a ser ranzinza, torcer pela novidade...
A ideia de escrever algo diferente veio no começo de 2006, quando meu filho Lucas, à época com nove anos, estava fazendo uma pesquisa escolar sobre folclore brasileiro. Quando dei de cara com a ilustração de um ser fantástico (não vou dizer qual, pois ele está no livro...), pensei: Por que não encontro romances que tivessem nosso folclore como pano de fundo? Por que nossos jovens leitores consideram vampiros, lobisomens e dragões mais assustadores ou instigantes que um boitatá, uma mula-sem-cabeça ou um mapinguari?
Olhava para meu filho e pensava que nossos leitores mereciam algo diferente do que estava aí, sobrando nas livrarias. Não necessariamente o que eu poderia oferecer, mas apenas algo diferente, mais próximo do chão onde pisamos. E aí, depois de dois anos, surgiu Danação, lançado em primeira edição por uma editora de Brasília em 2008 e agora pela Baraúna, revisto e revisado.
Sempre achei que o brasileiro nunca deu o valor necessário para sua cultura - sua história, seus heróis (e seus vilões), seus mitos. Ainda acho. Não acredito que Danação possa mudar essa tendência. Sonho, mas não acredito. Mas um dia isso pode mudar.

2 comentários:

  1. Elisandra disse...:

    Oi Marcus,

    Como leitora viciada também sempre que pego livros imagino todos os assuntos que podem ser abordados, ainda mais no meio fantástico...estive na primeira Odisseia de Literatura Fantástica esse ano aqui de POA e foi um sucesso...como blogueira puder ver obras e mais obras do ramo, além de conhecer e ver diversos autores. Mas fiquei intrigada com a sua proposta e curiosa pelos personagens que usou. Espero fazer uma leitura que me surpreenda. E agora vou correr pra ver Grito de Horror porque não lembro de ter visto....beijokas elis
    http://amagiareal.blogspot.com/

  1. Marcus Achiles disse...:

    A Odisseia de POA deve ter sido legal pacas. Gostaria de ter ido, mas não deu. Se tiver Fantasticon em SP neste ano, quem sabe... Tb espero que a leitura do Danação te surpreenda. Se você gosta de romances históricos, deve gostar. E se quiser variar na temática da fantasia, tb.
    Grito de Horror é um filme de lobisomem de 81. Um dos melhores. Se puder, assista
    Abs
    Marcus Achiles

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